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Entenda na newsletter de economia do C6 Bank. Não consegue visualizar o e-mail corretamente? Veja aqui . Esta é a newsletter da equipe econômica do C6 Bank Edição #212 18/5/2026 Olá! As exportações da China somaram US$ 1,3 trilhão de janeiro a abril de 2026, uma alta de 15% em relação ao mesmo período do ano anterior. A venda para o exterior tem sido um dos grandes motores do PIB chinês, principalmente depois da crise do setor imobiliário. O próprio perfil das exportações mudou. De vendedora de produtos de menor valor agregado (brinquedos, vestuário, calçados) , a China agora é grande fornecedora global de chips, baterias, carros elétricos e outros produtos industriais de ponta. O impulso às exportações e indústria serão capazes de sustentar o crescimento chinês no longo prazo? Quais são os desafios que a China ainda enfrenta? Entenda também: • Preços em alta nos EUA são desafio para novo presidente do Fed; • No Brasil, inflação também sobe; • Sinais de uma economia mais forte no começo de 2026. Tempo médio de leitura: 6 minutos A newsletter Macro Review também está disponível em podcast. Ouça aqui. Mundo Estímulos, crescimento e tecnologia A China bateu recorde de comércio em 2025. O superávit da balança (diferença entre exportações e importações) foi de mais de US$ 1 trilhão, o maior da história. Sem o “empurrão” das exportações, dificilmente o país teria crescido 5% no ano passado e alcançado a meta estipulada pelo governo chinês para o avanço do PIB. Em 2026, a história não deve ser muito diferente. Prova disso é o crescimento acima do esperado no primeiro trimestre – mais uma vez, impulsionado pela produção industrial e pelas exportações. É da indústria que sai a maior parcela do que a China vende para o exterior. O país se tornou um grande produtor e fornecedor global de itens como chips, baterias, painéis solares e carros elétricos. Esses itens representam cerca de 30% das exportações. O Brasil, por exemplo, quase triplicou a compra de veículos elétricos da China em relação ao 1º trimestre do ano passado. Uma volta pelas ruas das cidades brasileiras é suficiente para perceber a mudança em curso. A transformação nas exportações faz parte de um plano lançado pelo governo chinês na década passada para estimular a fabricação de produtos de maior valor agregado. Até então, boa parte do comércio da China com o mundo estava concentrada em brinquedos, roupas e calçados, produtos conhecidos por serem mais simples e baratos. Celulares e outros eletrônicos eram, na maior parte das vezes, apenas montados no país. Para chegar em um futuro mais “tecnológico” , o governo chinês adotou amplos estímulos para a indústria local: vendeu terrenos a preços mais baixos para a instalação das fábricas, concedeu crédito subsidiado para financiar as linhas de produção e reduziu impostos. O impulso foi tão grande, que o número de empresas atuando nos setores estimulados cresceu rapidamente, gerando uma disputa acirrada. A competição interna e os benefícios concedidos pelo governo estão entre as principais razões para a China vender produtos a preços e margens mais baixos. Isso virou motivo de reclamação nas indústrias da Europa e do Canadá que competem com os produtos chineses, por exemplo. No fim das contas, a política causou desequilíbrios. Como a produção é amplamente estimulada, alguns desses setores, como a indústria de painéis solares e carros elétricos, enfrentam sobreoferta – ou seja, produzem mais do que vendem , mesmo considerando as exportações. Parte disso se dá porque o próprio consumo interno não está crescendo. É vontade da China que seus cidadãos passem a consumir mais os produtos fabricados no país, mas isso não tem acontecido como o governo esperava. — A crise do setor imobiliário Imagens de pátios de montadoras chinesas repletos de carros que não foram vendidos remetem a outra realidade do país: os milhares de imóveis construídos e ainda vazios. Segundo o governo chinês, existem cerca de 400 milhões de m² em casas que não foram vendidas. Isso equivale a cerca de 5 milhões de imóveis em estoque. Antes de estimular a indústria de ponta, o país concedeu amplos benefícios para o setor imobiliário. A construção civil impulsionou o PIB chinês por décadas, até que chegou ao ponto de saturação. Quando não encontraram demanda para seus imóveis, as construtoras chinesas começaram a enfrentar problemas. As vendas diminuíram, faltou dinheiro para concluir projetos em andamento e muitas empresas quebraram. Ao estimular a indústria, a China corre o risco de criar desequilíbrios excessivos e, assim, repetir a história do setor imobiliário. Basta pensar que se o mundo demandar menos produtos da indústria chinesa, o país terá um problema para sustentar o crescimento desejado pelo governo. Por isso, acreditamos que, a despeito do impulso de curto prazo para o PIB, a China precisará enfrentar seus desafios estruturais para crescer de forma saudável e sustentável no longo prazo. O envelhecimento da população, o alto desemprego entre jovens e o endividamento do governo ainda são motivo de preocupação e podem ser obstáculos para o país nos próximos anos. “As casas representam algo como dois terços do patrimônio total das famílias chinesas. Como os preços de imóveis estão em queda desde 2022, existe uma sensação de empobrecimento na população, o que desestimula o consumo” Claudia Rodrigues Head de internacional da equipe econômica do C6 Bank Ouça o comentário na íntegra na versão em áudio da newsletter Nos EUA, preços em alta e mudança no Fed ANa semana passada, duas notícias da economia americana foram importantes para quem tenta entender e antecipar o rumo dos juros nos Estados Unidos. Primeiro, o Índice de Preços ao Consumidor (CPI) de abril mostrou que a inflação americana segue elevada , sofrendo uma pressão adicional por causa da guerra no Irã e os impactos sobre a cotação do petróleo. Os preços de energia subiram 3,8% no mês, puxados pelo aumento de 5,4% na gasolina. As passagens aéreas tiveram alta de 2,8%. No acumulado de 12 meses, o CPI de abril subiu de 3,3% para 3,8% nos EUA. O núcleo do indicador – que exclui itens mais voláteis, como energia e alimentos – ficou em 2,8% , quase 1 ponto percentual acima da meta de 2%. Esse quadro de inflação deve ainda causar preocupação para o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) na sua próxima reunião, em junho – que, inclusive, ocorrerá sob novo comando. Na quarta-feira, Kevin Warsh foi aprovado pelo Senado para assumir a presidência do Fed no lugar de Jerome Powell. Na nossa avaliação, o Fed deve manter os juros estáveis na próxima reunião. Mais do que isso: com o Estreito de Ormuz ainda fechado – o que tende a manter a inflação elevada – e o mercado de trabalho americano sem sinais relevantes de enfraquecimento , não vemos qualquer espaço para cortes nas taxas ao menos até o fim de 2026. Saiba mais: O que esperar do futuro chefe do banco central dos EUA Brasil Inflação em rota preocupante No Brasil, o resultado da inflação de abril surpreendeu negativamente: o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,67% , um valor acima das nossas projeções. Com isso, a inflação acumulada em 12 meses passou de 4,1% para 4,4% e ficou ainda mais distante da meta de 3% perseguida pelo Banco Central. O resultado foi puxado principalmente pelos preços da gasolina (+1,9%) e da alimentação no domicílio (+1,6%) , grupos que têm sido afetados, mesmo que parcialmente, pelas restrições provocadas pela guerra no Oriente Médio. No curto prazo, medidas do governo devem ajudar a amenizar esse impacto do conflito sobre os preços. Na semana passada, foi anunciada uma nova medida provisória que prevê um subsídio para produtores e importadores de combustíveis , como gasolina e diesel. Mas o problema vai além da guerra. A inflação brasileira continua elevada em diferentes setores da economia. Nos serviços , por exemplo, os preços acumulam alta de 6,4% nos últimos três meses , considerando o dado com ajuste sazonal anualizado. Por isso, mesmo com algum alívio nos combustíveis, acreditamos que o IPCA continuará subindo no segundo semestre e encerrará 2026 em 4,8%. O mercado de trabalho aquecido e a nossa expectativa de desvalorização do real tendem a manter pressão sobre os preços. Ainda assim, a previsão é que o Banco Central continue o ciclo de cortes da Selic, levando a taxa para 13,5% ao fim do ano. Saiba mais: Selic diminui, mas dúvidas aumentam Economia forte no início do ano A atividade econômica brasileira deu sinais de força no início de 2026, segundo os dados do IBGE referentes ao primeiro trimestre. • A Pesquisa Industrial Mensal (PIM) mostrou um avanço expressivo da indústria , com alta de 1,4% frente ao trimestre anterior. • As vendas no varejo ampliado também tiveram bom desempenho: cresceram 1,3%, de acordo com a Pesquisa Mensal de Comércio (PMC). • Já a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) apontou queda no setor , de 0,7%. Com isso, estimamos que o PIB brasileiro tenha crescido 1,7% nos primeiros três meses do ano – o dado oficial será divulgado em 29 de maio. Vale notar, porém, que temos visto um PIB recorrentemente mais forte no começo do ano, especialmente quando a safra agropecuária é melhor. Isso se dá porque parte relevante da colheita do campo acontece de janeiro a março. Para o restante de 2026, a expectativa é de uma atividade econômica mais fraca. Assim, no ano como um todo, o PIB do Brasil deve crescer 1,7% , abaixo dos 2,3% de 2025 e dos 3,4% registrados em 2024. Cenário Veja as projeções dos economistas do C6 Bank para o Brasil: PIB Crescimento real 1,7% 2026 1,7% 2027 Fiscal Resultado primário (% PIB) -0,5% 2026 -0,5% 2027 Dólar R$ 5,50 2026 R$ 5,80 2027 Inflação IPCA 4,8% 2026 4,8% 2027 Juros SELIC 13,5% 2026 13,5% 2027 Projeções revisadas em: 5/5/2026 Próxima revisão: 2/6/2026 Para acompanhar 20/5 - Inflação ao consumidor (CPI) de abril, Reino Unido 21/5 - Índices de Gerentes de Compras (PMI) de maio, EUA, zona do euro e Reino Unido Quem faz parte da equipe econômica do C6 Bank: Felipe Salles, Claudia Moreno, Claudia Rodrigues, Heliezer Jacob e Felipe Mecchi. Leia mais sobre economia no blog do C6 Bank. Podcast A newsletter Macro Review também está disponível em áudio nas seguintes plataformas: YouTube | Spotify | Apple Podcasts | Amazon Music | Deezer O Macro Review é preparado pela equipe econômica do C6 Bank. O conteúdo tem caráter informativo e educativo e não deve ser considerado recomendação ou oferta de produtos de investimento. Siga o C6 Bank nas redes sociais Dúvidas? Acesse nossa seção de ajuda . Atendimento 24h, 7 dias por semana Acesse pelo chat do app (11) 2832 6088 Whatsapp 3003 6116 Capitais e Regiões Metropolitanas 0800 660 6116 Demais Localidades SAC 24h, 7 dias por semana 0800 660 0060 Todas as regiões Ouvidoria Segunda a sexta, exceto feriados 0800 660 6060 das 9h as 18h Descadastrar-se | Política de Privacidade Av. Nove de Julho, 3186 - Jardim Paulista, São Paulo - 01406-000